Qiu Jiu, a Vingativa

 

    Zhang Yimou é um dos melhores cineastas chineses. Autor de Sorgo Vermelho, Amor e sedução e A história de Qiu Jiu entre outros filmes. Por que razão um padre católico fala dos filmes de um ateu chinês numa coluna chamada "Fé e cidadania"?

    Se Zhang Yimou for ateu, então anda pregando solidariedade e vizinhança melhor do que muitos pregadores cristãos, que não conseguem nem tomar um cafezinho amigo com alguém de outra Igreja no bar da esquina. Seus filmes têm o que deveria ter um filme cristão: ensinam valores!

    Recomendo, à quem ainda não viu, que alugue e assista A história de Qiu Jiu. Fala de uma jovem senhora cabeçuda e vingativa que, revoltada porque o comissário da polícia local bateu no seu marido, decidiu humilhar o comissário até que ele pedisse, publicamente, desculpas.

    Ferido na sua autoridade e no seu orgulho, ele reconheceu o erro e reparou a sua falta, oferecendo-se para pagar a multa ditada pelo juiz. Aceitou qualquer reparação, menos a que Qiu Jiu queria. O próprio marido compreendeu e perdoou, achando que o policial se desculpara. Ela não dobrou-se. A coisa ficou pessoal. Iria mostrar ao policial o que pode uma mulher, cujo marido foi humilhado. Foi até a última instância para conseguir aquele gesto. Ele teria que pedir-lhe desculpas.

    Conseguiu. Só que, nesse entretempo, o policial tão odiado por ela, mas que era um bom homem, acabou ajudando suas parentas. Ela percebeu que tinha ido longe demais, mas já era tarde. Ele fora condenado à prisão.

    Faz pensar aonde leva a birra de uma pessoa vingativa. Ela quis porque quis aplicar a lei contra o vizinho. Quando percebeu que fora longe demais, ele virara a vítima e ela o algoz. Quem não perdoa, às vezes, acaba errando mais do que punindo!

 

Fonte: Pe. Zezinho, scj