Via-te
sempre ao passar.
Porte esguio, olhar indiferente,
Que lindos teus louros cabelos!
Olhos azuis, duas contas de cristal.
Boca rubra sumarenta,
Apetitosa, parecia convidar-me:
Beija-me...
Porem sorrias com desdém
A quem insinuasse pretender-te...
Por muito tempo assim passaste,
Não vias nada, ninguém,
A não ser tua própria beleza, tua altivez.
Muitos corações destroçaram com teus
encantos!
Mas... O tempo é impiedoso, não perdoa
ninguém.
A vida prosseguiu...
Aqueles que um dia te amaram
Seguiram seus destinos ao lado de outro
alguém.
Ninguém conseguiu prender-te; ninguém!
Hoje, novamente passas como antes;
Porem, triste, na mesma calçada de sempre,
Que um dia desfilaste com ares de rainha.
Quanta pena ao reverte...
Pensar que já fui teu escravo,
Com um único gesto me trarias cativo...
Procuras
como a mendigar,
Ainda que seja um simples olhar,
De alguém que te ofereça um pouco carinho...

