Quanto
mais conheço as composições do Osvaldo
Montenegro, mais constato que ele é uma
"moço velho". Cheio de sabedoria
sem a amargura dos cansados. Alma arejada,
sacode a poeira pela janela dos sentidos e
escreve palavras de conhecimento ao som de
melodias encantadas.
Ouvi, ontem, uma canção de sua autoria e uma
frase ficou ecoando no meu íntimo:
..."que a paixão saiba cuidar de nós,
do nosso coração menino, brincando na areia
..."
Esse o desejo implícito de todos os amantes,
essa a esperança de cada amor.
A paixão é a grande culpada, sentada no
banco dos réus à mercê da inquisição de
muitos. E, com poucas exceções, é sempre
condenada. Às vezes, sem sequer direito à
apelação ou, a novo julgamento.
Paixão é coisa séria. Não me venham com
essa de que é passageira, de que o que fica e
permanece é o sentimento tranqüilo, sereno.
Discordo da assertiva, afirmada pela maioria,
de que a paixão é fogo que dá e passa.
Passa coisa nenhuma !
Desde que me lembro da vida, tenho ouvido
dizer que o calor da paixão é efêmero e
desaparece com o tempo e que o que resta é
uma pacificação. Pacificação é assunto
para o Paquistão, não para sentimento.
Numa relação de amor, a paixão é o
ingrediente que faz a diferença. Aceita-se o
amor filial e o de mães e pais com
intensidade e força, mas quando se trata de
afeto homem e mulher, acata-se a serenidade
como característica maior.
Decreto, por minha própria conta e risco, a
defesa da paixão em todos os momentos e instâncias.
Amo apaixonadamente a vida e os que cruzaram a
minha história, registrando seus personagens
e despertando a minha atenção. Azar o deles
e sorte minha.
Quem mandou aproximarem-se do calor do meu
coração, sem usar roupa de amianto ? Paixão
chamusca e deixa marcas. Melhor, muito melhor
do que o marasmo das cinzas de um fogo que se
deixou apagar, que não foi alimentado em
tempo.