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O
que haverá depois da morte ?

A
morte consiste na separação entre o
corpo e a alma. O corpo, desgastado pelo
uso e pelo tempo, já não oferece condições
para que a alma ou o princípio vital
nele permaneça e exerça as suas funções.
Consequentemente, o corpo, feito cadáver,
é lançado à terra, e a alma, sendo
espiritual, sobrevive; ela é imortal
por si mesma, pois os seres espirituais
não morrem, não se decompõem.

A
alma, uma vez separada do corpo pela
morte, não perde a consciência lúcida,
não fica adormecida. Falamos do "sono
da morte" por metáfora, ou seja,
porque os mortos "parecem"dormir.
Na verdade, porém, os cadáveres não têm
mais vida, ao passo que as almas,
separadas de seus corpos, continuam a
viver com toda a lucidez.

Logo
após a morte se dá o juízo
particular. Este não consiste numa
avaliação dos prós e contras da nossa
conduta terrestre, pois somos nós quem
nos julgamos nesta Terra, ao nos
posicionarmos a favor ou contra Deus.
Morremos com a nossa sentença lavrada
por nós mesmos, com nossa opção feita.

O
juízo particular, portanto, consiste na
iluminação de todo o nosso currículo
de vida, para que possamos ver, com
objetividade e sem preconceitos, os
valores e desvalores da nossa conduta
terrestre.

Assim
iluminada, a alma humana deseja
imediatamente colher os frutos da
semeadura realizada na Terra; ela deseja
espontaneamente a justa sorte que lhe
compete. O fato de não estar unida ao
corpo não impede de utilizar os
conhecimentos adquiridos na Terra e de
praticar atos de inteligência e de
vontade.

Os
conceitos de céu, inferno e purgatório:
Após
a morte e o juízo particular, mesmo
antes da ressurreição da carne (que se
dará no fim dos tempos), o ser humano
tem três destinos possíveis:

1
- O céu que é a visão de Deus face a
face ou a satisfação plena de todos os
nossos anseios, sem aborrecimento nem
tédio. Deus será sempre a grande
maravilha para os justos no céu. Na
pátria celeste, os justos, vendo a
Deus, veêm também seus familiares e
amigos plenamente identificáveis,
embora ainda não ressuscitados
corporalmente (a alma humana, como no
princípio vida, traz em si os traços
típicos da personalidade de cada um de
nós.)

Os
justos podem interceder por nós no céu,
pois Deus nos fez solidários uns com os
outros (vivemos na "Comunhão dos
Santos"), e esta solidariedade ou
comunhão não é rompida pela morte.
Deus a conserva e faz com que os justos
e Santos no céu conheçam as nossas
preces e possam orar por nós.

Especialmente
a Virgem Santíssima, na qualidade de
Mãe do gênero humano (cf Jo 19, 26),
é a Grande Orante que leva ao seu
Divino Filho as suas preces em favor dos
homens na Terra. Ela, que foi a
intercessora do primeiro milagre de
Jesus em Caná da Galiléia - ao dizer,
muito discretamente, com um olhar de
mãe atenta: "Eles não têm pão,
...não têm casa, ...não tem roupa,
...não têm paz, ...não têm amor, ...não
têm harmonia conjugal ... "

2
- o purgatório, que é a antecâmara do
céu. Com efeito, para ver a Deus face a
face, o ser humano precisa de estar
isento de qualquer sombra de pecado,
pois Ele é três vezes Santo. Assim, se
alguém morre com seu amor voltado para
Deus, mas ainda está contaminado por
traços de amor próprio, egoísmo,
preguiça, vaidade, omissão, precisará
de se libertar dessas escórias do
pecado (impropriamente ditas "os
pecadinhos de cada dia"). Isto se
faz estado (e não num lugar) chamado
"purgatório".

O
purgatório não é um lugar onde há
fogo e tormentos físicos, mas sim um
estágio no qual, voluntariamente, a
alma portadora de incoerências, repudia
radicalmente o pecado e se desapega
totalmente dele, a fim de poder ver a
Deus face a face. O purgatório é,
portanto, algo de muito lógico: um
estado em que nós vivenciamos a
experiência de fazer um sincero ato de
contrição e de nos livrarmos do pecado.

Nós
somos sempre traídos por nós mesmos,
porque dias depois de nos arrependermos
voltamos ás mesmas faltas, tão
arraigado está em nós o princípio do
pecado. Ora, essa presença profunda do
pecado em nosso íntimo precisa de ter
um fim: ou acaba na vida presente (mediante
uma ascese muito vigilante) ou na vida
futura (no estágio do purgatório).

A
duração do purgatório não se mede em
dias e anos, mas pelo tempo psicológico
(ou "evo"), cujas unidades
são os nossos atos de conhecimento e
amor (teremos sucessivos atos de
conhecimentos e vontade no além).

3-
o inferno, que é o estado (e não o
lugar) no qual o pecador que tenha
morrido apegado ao pecado e avesso a
Deus sente a amargura de ter dito "não"
a Ele, o Sumo Bem, o Único Bem que não
podia ser perdido, mas que foi trocado
por um ídolo (o dinheiro, o prazer, a
glória...) ou por uma bolha de sabão (colorida
por fora, mas vazia por dentro).

O
inferno é a frustração definitiva.
Não sabemos quantas pessoas morrem
impenitentes ou voltadas conscientemente
para o pecado; até o fim da vida Deus
acompanha os seus filhos mais rebeldes,
oferecendo-lhes a sua graça.

O
inferno é tormentoso, porque Deus
continua a amar o pecador que dele se
afastou e que se condenou
voluntariamente (pois, na verdade, não
é Deus quem condena, mas é o humano
que, voluntariamente dizendo "não"
a Deus, se projeta na desgraça). O
pecador reconhece finalmente que Deus é
o Supremo Bem, mas não lhe quer aderir,
pois a morte fixa cada um de nós na sua
última opção; após a morte não é
possível a conversão.
 

Fonte:
O Portal Católico |